Em asilo de Porto Alegre, casal celebra segundo Dia dos Namorados

Paulo, 73 anos, e Shirlei, 79, se conheceram no Asilo Padre Cacique.
Divorciados, os dois encontraram um no outro apoio e companheirismo.

Paulo, 73 anos, e Shirlei, 79, são o único casal no Padre Cacique, em Porto Alegre (Foto: Rafaella Fraga/G1)

Os aposentados Paulo Antônio Meirelles, 73 anos, e Shirlei Gomes Pereira, 79 anos, formam um casal que prova que idade não tem importância quando o assunto é amor. Os dois celebram neste domingo (12) o segundo Dia dos Namorados juntos.
A data é apenas mais uma desculpa para que os dois passem ainda mais tempo um ao lado do outro. Divorciados, eles vivem no Asilo Padre Cacique, em Porto Alegre, onde se conheceram e moram com outros 148 idosos. São os únicos namorados do lugar – há também outro casal, que se mudou junto, e cujo matrimônio já dura mais de 40 anos.

“O amor não tem limite de idade. Não importa se a pessoa é velha,
é nova. Velho ou moço, amor é amor. É uma coisa muito séria uma pessoa amar outra pessoa, sabe?”
Paulo Antônio Meirelles, 73 anos

Divorciados, Seu Paulo e Dona Shirlei, como são chamados, descobriram novamente a felicidade de ter um companheiro ao lado. Os dois, no entanto, não pensam em casar novamente, como ocorreu em 2011 na casa de repouso, com um casal de namorados que trocou alianças.
Eles querem mesmo aproveitar o que sentem e o que os mantêm unidos desde 2014, sem que haja necessidade de denominar e afirmar isso em uma cerimônia formal. Juntos, eles encontraram apoio e companheirismo para o dia a dia.

“Não quero casar. Quando a gente é nova, a gente quer casar logo. Mas eu não quero mais. Pra que casar de novo? Já casei, já tive filho. Namorar está bom. O sentimento basta”, afirma ela ao G1.

“O amor não tem limite de idade. Não importa se a pessoa é velha, é nova. Velho ou moço, amor é amor. É uma coisa muito séria uma pessoa amar outra pessoa, sabe?”, completa ele.

O carinho entre os dois despertou há dois anos e meio, quando Shirlei se mudou para o asilo. Seu Paulo já estava lá, onde tratava, sem muita vontade, as sequelas de um acidente vascular cerebral (AVC), que lhe comprometeu o equilíbrio e provocou dificuldades para se locomover.

“Eu cheguei aqui de cadeira de rodas, hoje já estou caminhando. Ela me dá muita força. Eu sinto que estou melhorando a cada dia com a ajuda dela. A coisa mais importante na vida para alguém é ter apoio, é ser incentivado. E ela faz isso comigo”, diz ele.

Separada após um casamento que durou 13 anos, e ainda superando a morte do filho, vítima de hepatite aos 54 anos de idade, Shirlei encontrou conforto no novo amigo. Não demorou, porém, para que ele percebesse que não era apenas amizade. O desejo foi formalizado com um tradicional pedido de namoro.

“Nós éramos amigos, mas só amigos”, ressalta ela. “Em seguida ele disse que não queria só amizade e me pediu em namoro. Eu fiquei na dúvida, mas aceitei”, conta, tímida. “Eu nunca pensei que fosse arrumar um namorado de novo. Não com a minha idade. Mas aí aconteceu. Eu estou feliz, graças a Deus”, continua.

“Nunca pensei que fosse arrumar namorado de novo. Não com a minha idade.”
Shirlei Gomes Pereira, 79 anos

Desde então, os dois repartem o cotidiano. Apesar do namoro, o casal dorme separadamente, conforme as normas do asilo. Ele fica na ala masculina e ela na ala feminina. Mas exceto durante as noites, os dois não se desgrudam.
Diariamente, Dona Shirlei espera pelo companheiro para tomar o café da manhã. “Aqui a gente fica junto o dia inteiro. Não é uma vez por semana, ou duas, como são com os namorados hoje em dia. É direto. Café da manhã, almoço, janta. Estamos sempre juntos”, descreve.
Com o incentivo da namorada, Seu Paulo conseguiu deixar a cadeira de rodas. Ainda usa o andador, assim como ela também recorre ao equipamento às vezes, mas se sente cada vez menos dependente para circular.

Com isso, surgiram os passeios pela cidade. “Ele era meio preguiçoso, sabe? Para fazer a fisioterapia. Aí eu comecei a caminhar com ele, porque ele queria só usar a bengala. Aí eu comecei a andar junto e ele caminha bem direitinho agora. A gente sai, anda de ônibus por aí, por tudo”, confirma ela.

Os outros facilmente notam o cuidado e atenção entre o casal. “Ela cuida dele, se preocupa com ele o tempo todo. Se ele está de casaco, se não está passando frio. Ajuda ele a se se locomover”, detalha a recreacionista do Asilo Padre Cacique, Cadine Piazer.

Dona Shirlei ainda admite ser ciumenta. “As mulheres aqui são fogo”, explica. “Tem que ficar de olho”. O namorado ri, mas também não nega o ciúmes. “Tem ciúmes, sim, mas o amor é mais forte”, garante. “A gente tem confiança um no outro. Eu tenho muita confiança nela, que é o que importa nos relacionamentos”, conclui ele.


Seu Paulo e Dona Shirlei estão juntos há dois anos e meio (Foto: Rafaella Fraga/G1)

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